Tijucano abandona carreira de engenheiro e abre empresa de captação de lixo eletrônico.

Fonte por Maurício Peixoto para Jornal O Globo

Com o avanço da tecnologia, aumenta o consumo de equipamentos eletrônicos, gerando, assim, acúmulo de lixo dessa espécie. Baterias, celulares, placas de circuito impresso, monitores, aparelhos de TV e de rádio, e qualquer coisa que ligue na tomada ou precise de pilha para funcionar figura entre os itens que compõem o lixo eletrônico.

Em busca de um aprofundamento do assunto, o tijucano Caio Miranda percebeu que havia poucas empresas com foco na reciclagem de lixo eletrônico não só na região, mas em todo o Rio de Janeiro. Além disso, em pesquisa, constatou que, no Brasil, dos 1,5 bilhão de quilos gerados por ano, apenas 3% são reciclados. De olho nessa demanda, Miranda criou, em março, junto com quatro sócios, a Tech Trash, uma startup que investe na captação deste tipo de resíduo, que depois é vendido a recicladoras.

— Começamos com um trabalho na faculdade de Engenharia, no segundo ano. Larguei para me dedicar exclusivamente a este projeto. Começamos em março, mas estamos operando mesmo desde setembro — diz ele.

Em menos de um ano, a empresa conquistou parcerias. Há 23 pontos coletores pela cidade, espalhados pela Grande Tijuca, Barra, Recreio e Jacarepaguá. Há postos no Maraca Hostel, na Casa Anitcha, na Feira Desapegue-se, e no Posto BR em frente à universidade Cândido Mendes. Eles participam também de palestras e eventos universitários.

— No início demos ideias para donos de estabelecimentos comerciais que conhecíamos e fomos a universidades. O feed back foi bom. No primeiro mês coletamos uma tonelada e 400 quilos — diz ele.

Depois de recolhido, o material é vendido para uma recicladora.

— O lixo eletrônico, se comparado a outros resíduos, é o que mais traz impactos ao meio ambiente. Há metais pesados, como mercúrio, lítio, cádmio, além de ouro, prata, platina. Ou seja, estamos também jogando riqueza no lixo — finaliza.