O paciente vai ser submetido à tratamento no próprio Hupe

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O paciente está internado em Vila Isabel.

Mais um caso de malária foi diagnosticado nesta segunda-feira (2/3) no Rio de Janeiro, desta vez no Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Hupe/Uerj), em Vila Isabel, na Zona Norte. Desde fevereiro, o estado já registrou 14 casos da doença, todos em pacientes que estiveram na Região Serrana. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o número de casos no estado entre 2008 e 2014 chegava a 15. A Secretaria de Estado de Saúde garante não haver evidências de surto da doença.

O diagnóstico desta segunda (2) foi confirmado pela médica infectologista Anna Caryna Cabral, que atua no Hospital Pedro Ernesto, além da unidade hospitalar Daniel Lipp, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O paciente, que vai ser submetido à tratamento no próprio Hupe, revelou que esteve durante o período de carnaval em Nova Friburgo, na Região Serrana.

Anna Caryna já fez mestrado sobre malária pelo departamento de Medicina Tropical no Instituto Oswaldo Cruz Fiocruz, com a tese: "Vulnerabilidade a malária em Santa Isabel do Rio Negro Amazonas Brasil". A especialista permaneceu por dois meses na localidade para a elaboração do trabalho científico.

Em entrevista ao Jornal do Brasil, Anna Caryna avalia o aumento do registro da malária no Rio de Janeiro este ano.

JB - Quais devem ser os motivos desse aumento?

AC - A teoria mais discutida foi a grande seca que ocorreu nessa região da Mata Atlântica associada a períodos de chuva nos últimos meses, favorecendo o ciclo de vida do anofelino nessas coleções hídricas formadas. Mas não há até o momento um motivo definido.

JB - Por enquanto, as regiões serrana e de Mata Atlântica do Rio foram as mais afetadas. Corre o risco da doença surgir nos próximos dias em outras regiões? Quais?

AC - Malária é uma doença infecciosa causada pela picada do mosquito chamado anofelino. Essa doença é encontrada em regiões de mata fechada. Doença infecciosa que mais leva a óbitos no mundo inteiro. Na África a cada 30 segundos morre uma criança com malária por P.falciparum. A malária por P. vivax tem evolução mais benigna e até o momento foi a espécie encontrada. Se uma pessoa for próxima a essas áreas, com elevada densidade do vetor da doença sem utilizar equipamentos de proteção individual, há sim o risco de disseminação da doença para outras áreas.

JB - Como acontece o contágio?

AC - Mais comumente pela picada do mosquito anofelino que anteriormente tenha picado uma pessoa doente. Contágio esse similar com a Dengue, só que vetores diferentes com comportamentos e habitats diferentes. O anofelino não voa a longas distantes, então fica concentrado em regiões com temperatura e umidade favorável para evolução do seu ciclo de vida. Portanto o homem é que ao se locomover para essas áreas pode disseminar a doença para outros lugares.

JB - Quais as medidas devem ser tomadas pelas pessoas e entes governamentais para evitar um surto?

AC - Uso de EPIs pelas pessoas que transitam por áreas de risco, inclusive repelente. Evitar formação de coleções hídricas que potencialmente possam ser contaminadas pela larva do mosquito.(chamados "criadouros"). Enfim, não permitir o contato do vetor com o hospedeiro, no caso nós. Diagnóstico e tratamento precoce.

JB - Há necessidade das pessoas evitarem estes lugares?

AC - Eu prefiro dizer que as pessoas devem tomar medidas de precaução quando por ventura tenham que trabalhar ou residir nessas áreas. E ao evoluir com sinais ou sintomas da doença como febre alta, calafrios, mialgia, artralgia, dor de cabeça, entre outros procurar rapidamente ajuda médica em alguma unidade hospitalar mais próxima. Após suspeita ou confirmação diagnostica pelo médico, o mesmo irá encaminhar o caso em questão para o centro de referência mais próximo. No Brasil, a malária se concentra em 98% dos casos na região amazônica, sendo classificada como uma endemia.

Secretaria Estadual de Saúde emite nota sobre os casos de malária no estado

Na manhã desta terça-feira (3/3) a Secretaria Estadual de Saúde ainda não tinha sido notificada do caso registrado no Hospital Pedro Ernesto. Em nota, a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental confirmou os 14 registros da doença e afirmou que os prováveis locais de infecção são os municípios de Miguel Pereira, com 3 ocorrências, Nova Friburgo, com duas, Petrópolis, também com dois casos, e Teresópolis, um com registro. A origem dos outros seis casos já confirmados permanece em investigação.

O órgão esclarece ainda que mantém equipes de campo nos locais de provável contaminação para levantamento dos vetores da doença, além de acompanhar e avaliar os casos já notificados. "Vale lembrar que, anualmente, são registrados casos de malária com contaminação ocorrida no estado do Rio de Janeiro, ou seja, não é possível afirmar que a doença esteja erradicada no estado", destaca a nota.

O comunicado orienta ainda que - "É preciso deixar claro que a situação de alerta é direcionada para as pessoas que irão visitar as regiões próximas à Mata Atlântica, devido ao forte calor, que favorece o desenvolvimento do mosquito. Como a transmissão ocorre em ambiente silvestre, a orientação para as pessoas que tenham frequentado áreas de Mata Atlântica e apresentem quadro febril é para que busquem atendimento médico, informando o histórico de viagem, para facilitar o diagnóstico e o início de tratamento adequado".

De acordo com a Superintendência, não há óbitos confirmados e até o momento, os casos registrados apresentam a versão branda da doença.

Fonte: Jornal do Brasil.

 

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