Luzes do abre-alas se apagaram durante desfile e podem custar pontos. Vice-campeã de 2014 e 2015 saiu, porém, sob gritos de 'É campeã'.

Fonte por Jornal O Globo

Segunda escola a desfilar no 2º dia de desfiles do Grupo Especial, o Salgueiro fez na Sapucaí uma ode à malandragem. Vice-campeã nos dois últimos carnavais, a vermelho e branco trouxe um desfile caprichado e divertido, empolgando as arquibancadas, mas teve problemas técnicos que podem ser decisivos na briga pelo título.

As luzes de parte do abre-alas se apagaram durante o desfile, o que pode custar pontos. A escola teve ainda dificuldade para colocar outro carro na avenida, que soltou muita fumaça.

O enredo “Ópera dos malandros” teve como inspiração a obra a "Ópera do Malandro", de Chico Buarque, e levou para a avenida o universo dos cabarés, botequins e personagens das ruas e da noite do Rio de Janeiro, com direito a um zepelim de cerca de 20 metros sobrevoando a avenida por cima dos ritmistas fantasiados de Geni – personagem da "Ópera do Malandro".

A ópera carnavalesca criada pelo casal Márcia e Renato Lage, que já colecionam 13 anos de Salgueiro, falou ainda dos jogos de azar e celebrou símbolos da malandragem carioca como Bezerra da Silva, Moreira da Silva e Dicró.

Apesar dos problemas, a escola saiu da Sapucaí ouvindo gritos de "É campeã".

O Salgueiro já ganhou oito campeonatos, sendo o último em 2009.

Malandra Viviane Araújo discreta

A bateria "Furiosa" de mestre Marcão deu show e trouxe Viviane Araújo como rainha. A atriz, que há 9 anos ocupa o posto, usou dessa vez uma discreta fantasia de malandro.

A funkeira Ludmilla fez sua estreia na Sapucaí como musa. A modelo Aline Riscado foi outro destaque.

O ator Ailton Graça arrancou aplausos do público ao dançar e beijar a destaque Cris Alves, que veio em um dos carros do Salgueiro ao lado do ator. "Pedi permissão para a minha mulher. Falei para ela, ‘tô indo lá, vou fazer o trabalho e vou beijar ela do começo ao fim do carnaval, tudo bem?’ Aí eu falei que em casa a gente vai conversar", disse Ailton.

Saias gigantes com telão de LED

O Salgueiro levou para a avenida 6 carros e 2 elementos cenográficos, e desfilou com 3.800 componentes divididos em 31 alas.

A comissão de frente trouxe uma encenação misturando Exu, malandros sujos e rainhas da noite. Durante a apresentação, as bailarinas saiam de dentro de saias gigantes, com painéis de LED que ganhavam 'vida', girando sozinhas e exibindo imagens de fogo.

O abre-alas recriou a Cinelândia, as escadarias do Teatro Municipal do Rio e o chafariz da Praça Mahatma Ghandi, no Centro do Rio, e trouxe a diversidade dos personagens das ruas, reunindo malandros, mulheres de lingerie, vendedor de flores e mendigo.

O segundo carro transformou o Morro da Babilônia em um jardim suspenso tropical. O terceiro carro abordou o universo dos cabarés e bordéis. O quarto carro retratou o universo da jogatina.

Para falar da filosofia de botequim, um carro trouxe uma versão "malandreada" da escultura do pensador de Auguste Rodin, e trouxe como destaques nomes como o jogador Júnior, o narrador Galvão Bueno e o ator Eri Johnson.

A ala das baianas veio de vermelho, representando uma cigana pomba gira. A ala dos mendigos e de malandros que negociam produtos de procedência duvidosa também chamaram a atenção.Outras alas lembraram bordões da malandragem como "Camarão que dorme a onda leva" e "malandro é o cavalo marinho, que se finge de peixe para não puxar carroça".

O Salgueiro encerrou o desfile distribuindo flores na avenida. O último carro trouxe uma mensagem de paz e tolerância com a figura do malandro ao lado de uma pomba branca.

 

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